segunda-feira, 29 de julho de 2013

Vem! o segurança tá do nosso lado.

Vem! o segurança tá do nosso lado.

Assim que aceitaram tomar o combo de vodca com água de coco, Zé do Pré já pressentindo o que viria perguntou ironicamente: - “Já que vamos beber isso, já fica entendido que quem vai ter que voltar dirigindo vai ser eu, né?”.

Normalmente o Menino costuma ser o motorista da galera, afinal é o que se controla mais. No entanto, naquele dia ele foi o primeiro a alucinar com o sangue cheio de álcool. Pagaram a conta e se dirigiram para o carro, sentido Quinto dos Infernos. Porque ali, nitidamente, era um trio de jovens endiabrados e encapetados. Zé ao volante, Menino de copiloto em seu próprio carro e Bubu de GPS no banco de trás.

No banco de trás ele também colocava algumas rédeas no Menino, que insistia que queria ‘mijar’ com o carro em movimento. Chegou até numa tentativa de desabotoar as calças. Mas foi contido com as palavras de desaprovação vindas de Bubu. Enquanto isso Zé do Pré completamente perdido, sem noção de direção alguma, simplesmente tentando prestar o máximo de atenção nas placas, nos carros a sua frente e nas coordenadas desencontradas que vinham de dentro do carro.

Com a sorte de Deus conseguiram chegar sãos... (?)

Eles chegaram salvos! Chegaram ao Quinto. Estacionaram e se entreolharam ainda dentro do carro, já tinha ficado subtendido para todos. Eles iam aprontar!

A gatinha que deu a dica da festa já estava na bilheteria esperando a chegada dos penetras. Ela já havia achado sua companhia – um casal – e só estava no aguardo do trio-loucura. Verificaram que o ingresso estava muito acima do valor que eles esperavam e tinham estipulado que pagariam. Aquilo atiçou o lado rebelde de . Por um acaso o local onde estava sendo realizada a festa era o clube que ele frequentou durante sua adolescência. Conhecia bem a estrutura do local.  
Sem muitas explicações se afastou do grupo e foi dar uma averiguada nos arredores do clube. Foi para a esquerda e conseguiu que além da cerca do clube, a festa estava cercada por alambrados. Impossível! Foi então passando para a vistoria no lado direito e com um sorriso muito feliz conseguiu achar um portão que estava aberto, sem tranca ou cadeado. O portão dava acesso para o estacionamento do clube e mais a frente uma área de lazer coberta.

Contou para o grupo de amigos que esperavam na bilheteria essa fantástica descoberta. Menino imediatamente concordou e já foi andando, Bubu ficou meio receoso, esperou o grupo decidir se iriam ou não. E partiu em direção para o portão aberto. Os três olharam bem e simplesmente entraram na cara de pau característica do trio. Foram em direção à área de lazer onde estava acontecendo alguma coisa. Afinal havia luzes e pessoas em movimento.

Sem pensar Zé do Pré simplesmente entrou pela porta que estava aberta. Era da copa/cozinha que já dava acesso direto ao salão onde estava rolando uma festa. Uma recepção de casamento. Quando olhou pra trás estava no meio de convidados que olhavam com desconhecimento e sozinho. A duplinha estava do lado de fora pensando em como eles entrariam e qual desculpa usariam. Zé voltou e quando já estava na cozinha encontrou com os dois perdidos. Menino já entrou e pegou um drink na bandeja do garçom que passava e logo eles trataram de sair pela porta da frente. A festa estava rolando ao lado desse casamento. E como Zé já havia visto de fora, estava toda cercada por alambrados altos. 

Havia um único pedaço da festa que estava livre. Com o detalhe que havia uma espécie de janela a quase 2 metros do chão. Tão impossível quanto passar pela estrutura de metal que cercava a festa toda. Com exceção dessa parede que havia um circulo até que largo, só que a uma altura bastante considerável.
Mas aquela era a única possibilidade de entrar na festa. Claro que ignorando o fato de que poderiam voltar e comprar o ingresso na bilheteria como todos estavam fazendo. Mas ai perderia o fator ‘penetra’. Eles tinham que honrar isso, eles compraram esse compromisso.

Quer dizer, dois deles...

O cara com síndrome de macaco (a.k.a Zé do Pré) declarou que iria pular e entrar na festa por aquela ‘janela’ e queria saber se ele fosse todos iriam depois. A resposta foi positiva. E assim sem mais nem menos ele pulou e conseguiu chegar e sentar naquela esfera que era o único acesso não pago a festa. Antes de pular pra dentro do ambiente voltou e refez a pergunta. Ouviu a palavra sim e simplesmente pulou pro quinto.

Ainda agachado no chão, na posição em que caiu, não teve tempo nem de se erguer, pois o segurança tinha visto e já se aproximou advertindo. Do lado de fora Bubu olha pro Menino e com uma cara de ‘merda, fodeu’, diz: “Acho que pegaram o Zé”. E do mesmo jeito que ele tinha chegado ali, ele voltou rapidamente. Passou pelo casamento, pelo portãozinho aberto e foi direto pra bilheteria. Menino ficou sem saber o que fazer e foi atrás de Bubu, mas o perdeu de vista e resolveu voltar pra janela de entrada. 

Lá dentro, ainda agachado, Zé se negava a ter que sair da festa e pagar pra entrar. Tinha tanta convicção de que não era nem possibilidade que o segurança teve que agachar também e assim começou uma nova conversa.
- Quanto você tem ai?
- Tenho 2 amigos lá fora e 30 pau na carteira.
- Combinado!

Com o aval do segurança Zé voltou na janelinha redonda e só havia Diogo ali. Pegou o celular e mandou mensagem para o Bubu.
“Vem, o segurança tá do nosso lado.”

Quando eles ouviram a palavra de ordem do segurança: “Vai, agora”. Menino do lado de fora tentou pular e escalar a janela. De primeira não conseguiu, então Zé o ajudou o puxando pelos braços. Caíram os dois dentro da festa. Ninguém tinha visto. O segurança já nem estava mais naquela área da festa. Missão cumprida. Não foi exatamente como eles estavam pensando, mas foi mais adrenalina e aventura do que nunca.


Os dois resolveram que aquele momento merecia um brinde e foram comprar a bebida mais bombástica da festa. E com um largo sorriso nos rostos brindaram. E também comentaram como o Bubu tinha sido medroso. E pouco companheiro. Decidiram que não iriam nem saber se ele tinha ou não conseguido entrar. Foram curtir o feito como dupla. Só que não demorou muito e os três se encontraram lá dentro. Bubu tinha entrado da maneira correta e ainda encontrou o grupo de amigos lá fora que riram a valer da presepada que tinham escapado.

Finalmente os penetras foram curtir e dançar a música que rolava solta como se fosse uma mini rave.  Se eles azararam alguma gata, como era o plano inicial?
Bom, eles conversaram bastante com diversas meninas, todas elas preenchendo o perfil do que eles não estavam procurando naquela noite. Mas vale aquele ditado popular que diz que você atrai o que transmite. E como histórico da noite, não tinha como eles esbarrarem com pessoas normais, em uma festa no Quinto dos Infernos.

 E quando a fome bateu no Menino foi o sinal de que estava na hora deles se recolherem e partirem pra casa. Não antes de comprar o sanduíche que o Menino birrento tanto chorou para comer. Trinta centímetros de pão. No 5º centímetro ele praticamente dormiu em cima da comida dentro da lanchonete.


Que noite!

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