Vem!
o segurança tá do nosso lado.
Assim
que aceitaram tomar o combo de vodca com água de coco, Zé
do Pré já pressentindo o que viria perguntou ironicamente: - “Já que
vamos beber isso, já fica entendido que quem vai ter que voltar dirigindo vai
ser eu, né?”.
Normalmente
o Menino costuma ser
o motorista da galera, afinal é o que se controla mais. No entanto, naquele dia
ele foi o primeiro a alucinar com o sangue cheio de álcool. Pagaram a conta e
se dirigiram para o carro, sentido Quinto dos Infernos. Porque ali,
nitidamente, era um trio de jovens endiabrados e encapetados. Zé ao volante,
Menino de copiloto em seu próprio carro e Bubu de GPS no banco de trás.
No
banco de trás ele também colocava algumas rédeas no Menino, que insistia que
queria ‘mijar’ com o carro em movimento. Chegou até numa tentativa de
desabotoar as calças. Mas foi contido com as palavras de desaprovação vindas de
Bubu. Enquanto isso Zé do Pré completamente perdido, sem noção de direção
alguma, simplesmente tentando prestar o máximo de atenção nas placas, nos
carros a sua frente e nas coordenadas desencontradas que vinham de dentro do
carro.
Com
a sorte de Deus conseguiram chegar sãos... (?)
Eles
chegaram salvos! Chegaram ao Quinto. Estacionaram e se entreolharam ainda
dentro do carro, já tinha ficado subtendido para todos. Eles iam aprontar!
A
gatinha que deu a dica da festa já estava na bilheteria esperando a chegada dos
penetras. Ela já havia achado sua companhia – um casal – e só estava no aguardo
do trio-loucura. Verificaram que o ingresso estava muito acima do valor que
eles esperavam e tinham estipulado que pagariam. Aquilo atiçou o lado rebelde
de Zé. Por um acaso o local onde estava
sendo realizada a festa era o clube que ele frequentou durante sua
adolescência. Conhecia bem a estrutura do local.
Sem muitas explicações se afastou do grupo e
foi dar uma averiguada nos arredores do clube. Foi para a esquerda e conseguiu
que além da cerca do clube, a festa estava cercada por alambrados. Impossível!
Foi então passando para a vistoria no lado direito e com um sorriso muito feliz
conseguiu achar um portão que estava aberto, sem tranca ou cadeado. O portão
dava acesso para o estacionamento do clube e mais a frente uma área de lazer coberta.
Contou
para o grupo de amigos que esperavam na bilheteria essa fantástica descoberta.
Menino imediatamente concordou e já foi andando, Bubu ficou meio receoso, esperou o grupo decidir
se iriam ou não. E partiu em direção para o portão aberto. Os três olharam bem
e simplesmente entraram na cara de pau característica do trio. Foram em direção
à área de lazer onde estava acontecendo alguma coisa. Afinal havia luzes e
pessoas em movimento.
Sem
pensar Zé do Pré simplesmente entrou pela
porta que estava aberta. Era da copa/cozinha que já dava acesso direto ao salão
onde estava rolando uma festa. Uma recepção de casamento. Quando olhou pra trás
estava no meio de convidados que olhavam com desconhecimento e sozinho. A
duplinha estava do lado de fora pensando em como eles entrariam e qual desculpa
usariam. Zé voltou e quando já estava na cozinha encontrou com os dois
perdidos. Menino já
entrou e pegou um drink na bandeja do garçom que passava e logo eles trataram
de sair pela porta da frente. A festa estava rolando ao lado desse casamento. E
como Zé já havia visto de fora, estava toda cercada por alambrados altos.
Havia
um único pedaço da festa que estava livre. Com o detalhe que havia uma espécie
de janela a quase 2 metros do chão. Tão impossível quanto passar pela estrutura
de metal que cercava a festa toda. Com exceção dessa parede que havia um
circulo até que largo, só que a uma altura bastante considerável.
Mas
aquela era a única possibilidade de entrar na festa. Claro que ignorando o fato
de que poderiam voltar e comprar o ingresso na bilheteria como todos estavam
fazendo. Mas ai perderia o fator ‘penetra’. Eles tinham que honrar isso, eles
compraram esse compromisso.
Quer
dizer, dois deles...
O cara
com síndrome de macaco (a.k.a Zé do Pré)
declarou que iria pular e entrar na festa por aquela ‘janela’ e queria saber se
ele fosse todos iriam depois. A resposta foi positiva. E assim sem mais nem
menos ele pulou e conseguiu chegar e sentar naquela esfera que era o único
acesso não pago a festa. Antes de pular pra dentro do ambiente voltou e refez a
pergunta. Ouviu a palavra sim e simplesmente pulou pro quinto.
Ainda
agachado no chão, na posição em que caiu, não teve tempo nem de se erguer, pois
o segurança tinha visto e já se aproximou advertindo. Do lado de fora Bubu olha pro Menino e com
uma cara de ‘merda, fodeu’, diz: “Acho que pegaram o Zé”. E do mesmo jeito que
ele tinha chegado ali, ele voltou rapidamente. Passou pelo casamento, pelo
portãozinho aberto e foi direto pra bilheteria. Menino ficou sem saber o que fazer e foi atrás
de Bubu, mas o perdeu de vista e resolveu voltar pra janela de entrada.
Lá dentro,
ainda agachado, Zé se negava a ter que sair da festa e pagar pra entrar. Tinha
tanta convicção de que não era nem possibilidade que o segurança teve que
agachar também e assim começou uma nova conversa.
- Quanto você tem ai?
- Tenho 2 amigos lá fora e 30 pau na carteira.
- Combinado!
- Tenho 2 amigos lá fora e 30 pau na carteira.
- Combinado!
Com
o aval do segurança Zé voltou na janelinha redonda e só havia Diogo ali. Pegou
o celular e mandou mensagem para o Bubu.
“Vem,
o segurança tá do nosso lado.”
Quando
eles ouviram a palavra de ordem do segurança: “Vai, agora”. Menino do lado de fora
tentou pular e escalar a janela. De primeira não conseguiu, então Zé o ajudou o
puxando pelos braços. Caíram os dois dentro da festa. Ninguém tinha visto. O
segurança já nem estava mais naquela área da festa. Missão cumprida. Não foi
exatamente como eles estavam pensando, mas foi mais adrenalina e aventura do
que nunca.
Os
dois resolveram que aquele momento merecia um brinde e foram comprar a bebida
mais bombástica da festa. E com um largo sorriso nos rostos brindaram. E também
comentaram como o Bubu
tinha sido medroso. E pouco companheiro. Decidiram que não iriam nem saber se
ele tinha ou não conseguido entrar. Foram curtir o feito como dupla. Só que não
demorou muito e os três se encontraram lá dentro. Bubu tinha entrado da maneira
correta e ainda encontrou o grupo de amigos lá fora que riram a valer da
presepada que tinham escapado.
Finalmente
os penetras foram curtir e dançar a música que rolava solta como se fosse uma mini
rave. Se eles azararam alguma gata, como era o
plano inicial?
Bom,
eles conversaram bastante com diversas meninas, todas elas preenchendo o perfil
do que eles não estavam procurando naquela noite. Mas vale aquele ditado
popular que diz que você atrai o que transmite. E como histórico da noite, não
tinha como eles esbarrarem com pessoas normais, em uma festa no Quinto dos
Infernos.
E quando a fome bateu no Menino foi o sinal de que
estava na hora deles se recolherem e partirem pra casa. Não antes de comprar o
sanduíche que o Menino birrento tanto chorou para comer. Trinta centímetros de
pão. No 5º centímetro ele praticamente dormiu em cima da comida dentro da
lanchonete.
Que
noite!

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