segunda-feira, 29 de julho de 2013 0 comentários

Penetras ao Acaso

PENETRAS AO ACASO

Procurando pelos dicionários online, nesta vasta rede de informações, escolhi o que achava que melhor definiria essa palavra aplicada no contexto das histórias que serão contadas por aqui. A definição para a palavra: penetra 
Pe-ne-tra.
Significados: 1. Pessoa que é petulante, um tanto insolente. 2. Pessoa que de tudo finge entender. 3. Pessoa que entra onde não é chamada, que vai a diversões sem pagar, como cinemas, bailes etc.; emboca.

A terceira opção é onde os Três personagens centrais desse enredo, melhor se encaixam. Meter o nariz onde não são chamados e sem pagar. Bingo! 

A brincadeira desses três jovens destemidos começou totalmente ao acaso. Uma proposta surgiu e eles tiveram que se virar rapidamente para se adaptarem a situação. Uma amiga surgiu com a oportunidade de dois convites para uma festa de casamento. Mulheres bonitas e solteiras, (querendo romance e sonhando com o dia que será ela no papel de noiva) amigos reunidos, bebida liberada, música legal. Por que não?

Mas, eles são um trio de amigos e são apenas dois convites disponíveis!

A ocasião fez o ladrão. E assim eles decidiram que iriam todos a esse casamento, com ou sem convite. Não importava!
Se tiver uma característica bem comum entre esses rapazes, seria a capacidade de comunicação. Já diz o ditado; "Quem tem boca vai a Roma.”.
Acrescentaria também que: - Quem tem carisma não precisa de dinheiro, muito menos de convite.

Eles então se reuniram e traçaram a estratégia de ataque. A única convidada, de verdade, estava doando o par de convites a eles. Ela havia recebido 4 convites, 1 para ela e seu par, outro para o irmão e o par. Essa segunda opção estava a milhas de distância do casamento no dia, logo ‘sobrou’ um par de convites. Ela gentilmente os convidou e cedeu as entradas. No dia, horas antes, os encontrou quando estava a caminho da cerimônia, que seria realizada primeiramente, para depois haver o baile. Como de praxe. 

Sim, folgados! 

Para os penetras só os interessavam ir à festa, totalmente dispensável a parte matrimonial. O combinado era que após o jantar servido eles tinham maior chance de obter sucesso no plano, tendo em vista que a "plateia" já estaria mais cheia e os noivos ocupados dando atenção a todos e a nada, ao mesmo tempo.

Eles foram se arrumar!

Primeiro foram na casa do Zé do Pré que estava mais perto. Enquanto ele tomava banho e dava um trato no visual, os outros dois esperavam ansiosos. Todos querendo ir logo, todos com certo receio. Nada declarado ou pronunciado. 

O Zé do Pré é um cara de pau mor, nasceu com esse dom. Tanto é que desde a Pré-escola ele já tem a ficha suja, vários pequenos delitos infantil. É o que mais fala dos três. É o que mais fala besteiras consequentemente. Dono de uma ágil ironia, quando você o vê, já pensou e já te sacaneou. O cara também gargalha e alto. Pros padrões penetras, que supostamente deveriam passar despercebido, ele cria controversas ao passar ‘super’ percebido, contagiando e cativando todos com um sorriso escrachado no rosto.

Então devidamente arrumado para a festa, entraram no carro e partiram pra casa do Menino. Era a vez dos outros dois se aprontarem para o evento.
Ficava quase do outro lado da cidade, mas a situação era justa. E menino novo sempre tem pique de sobra, certo? E esse não foge a regra.

Carinha de criança, mente de gente grande, atitudes de doido destemido. 
A carinha de bom moço encanta todos e vai abrindo todas as possibilidades e caminhos, com sua diplomacia cordial e paciência de elefante.
O Menino apesar de ser o mais novo é tão sagaz quanto os demais. Enquanto o Zé do Pré se expressa abertamente, esse aqui prefere ouvir. É fácil saber se ele está interessado no papo; braço esquerdo cruzado na altura do peito, a mão direita no queixo. Uma espécie de estátua grega dos pensadores. Detalhe para o dedo indicador nos lábios. Cena épica. Bubu não perde a oportunidade de zombar, toda vez!
Vale lembrar que; Se o Menino perde a paciência é o primeiro a chutar o balde!

E então foi a vez do terceiro penetra, o Bubu, se arrumar. Indecisão na cor da camisa, uma cervejinha gelada devidamente colocada em stand-by e passa a fivela no cinto, últimos retoques no cabelo. Estava pronto e agora com muito mais expectativas.
Ele tem a necessidade de planejamento. Tudo tem que ser devidamente pensado antes para ai sim ser posto em prática. Vale dizer que rola certa imposição camuflada nesses planos todos. Acaba que no fim todos fazem sua vontade. Mas ninguém também reclama. Muito pelo contrário. É certeza de diversão garantida! Apesar de o apelido parecer fofo, trata-se de um marmanjo de quase 2 metros de altura. Com uma simpatia fenomenal e gigantesca. Não existe tempo ruim quando se esta em sua companhia. Com certeza é o mais cauteloso, pra não dizer medroso, dos penetras.


Os três devidamente arrumados e embecados e diferenciado por cores; Bubu de Azul Marinho, Menino de branco, Zé do Pré de preto. Todos com blazer preto por cima e sapato engraxado no pé.
Prontos se reuniram na varandinha, deram um brinde ao que estava por vir e começaram a traçar o plano...
- Assim que acabar o jantar a gente entra. 
- Ela vai nos arranjar mais um convite, ela vai sair com o convite dela escondido e passa pra gente.
- A gente entra e se mistura na galera.

E até que o telefone liga e eles tem o sinal verde para partir para missão: Invadir o casamento. Ninguém convidado, dois convites doados, 3 penetras e muita cara-de-pau. E assim partiram!

Chegando ao local, uma bonita casa de festa num bairro nobre da cidade, um mix de sentimentos dominou os três. Eles queriam entrar logo, queriam que desse tudo certo e queriam passar totalmente despercebidos pelos noivos. Principalmente Zé, que conhecia a noiva e não era convidado. Ou seja, cara de pau assumido.
Bubu era o mais apreensivo, pois foi o que ficou "sem convite", estava esperando a querida amiga que os convidou sair da festa, encontrá-los no estacionamento e entregar seu convite para ele. Assim os três, de certo modo, teriam convites. Já não teriam como ser barrados no baile, na teoria.

Menino, Zé e Bubu caminharam em direção à porta de entrada, todos confiantes, quando de repente recuaram depressa. Os noivos estavam na recepção tirando fotos com madrinhas, padrinhos e familiares. Tiveram que esperar mais um pouco.
Acende-se um cigarro, conversa fiada, pensam em como vão fazer e ficam de olho esperando que essas fotografias fossem tiradas logo.
Não demorou muito e surgiu o terceiro ingresso. Agora os três penetras tinham um convite cada em mãos. Chegou a hora. 
SHOWTIME!


E eles subiram a rampa em direção ao Hall de entrada do casamento...


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abraço no Noivo, foto com a Noiva

Abraço no Noivo, foto com a Noiva.

Totalmente decididos a alcançar o sucesso na missão, subiram aquela rampa como se fossem o presidente da república marchando no congresso. Chegando à porta, quatro seguranças, todos com aparência simpática.
Eles pegam o convite no bolso e então o Menino dá o golpe certeiro.
- Vocês poderiam tirar uma foto nossa aqui antes de entrar?

E depois da segunda foto batida o acesso já estava mais do que autorizado e eles nem tiveram que apresentar o convite para ninguém. Não perderam tempo e seguiram o barulho da música. Eles tinham conseguido, estavam lá dentro do casamento. Totalmente penetras!
Cada um já foi se servindo do que mais gostava. Um pegou champanhe, outro pegou uma cervejinha e o outro uma leve dose de Uísque. Um brinde ao triunfo!

Os convidados ainda estavam terminando de jantar. Zé do Pré conhecia 70% dos convidados da festa. Para a galera ele estava ali nos conformes da lei. Ledo engano desse povo. Bubu e Menino conheciam duas ou três pessoas na ocasião. Melhor assim, podiam ser parentes dos noivos perdidos na galera.
Antes da pista de dança abrir, os noivos foram se trocar, pois eles iriam apresentar a dança. Nada de valsa, eles optaram por uma salsa. Mas enquanto eles se arrumavam para tal performance, os três penetras foram dar uma conferida no local. Fazer um reconhecimento de campo.

Logo encontraram em um salão com o chão espelhado e ao fundo um belo altar. Logo entenderam que foi ali que horas antes tinha rolado a cerimonia matrimonial. Menino, fazendo meninice foi em direção à mesa ao fundo da 'capela' montada e se deitou. Em cima da mesa, em posição de morto. O que era casamento tinha virado velório em 1 minuto e a noiva nem ficou sabendo. Imagina se tivesse quebrado. Penetras e ainda dando prejuízo. Mas nada aconteceu de grave. Então eles aproveitaram do momento de piada, tiraram algumas fotos e voltaram ao salão para completar seus respectivos drinks.

Não demorou muito e começou o alvoroço ao redor da pista de dança. O casal havia chegado e estavam dando um show de dança, com direito a noiva rodando e tudo. Momento bem divertido, que assim que terminou já emendou o DJ e todos os convidados que estavam contemplando a dança, agora estavam sendo convocados para a pista.
Zé do Pré e o Menino não perderam tempo e já se misturaram na galera. Zé ainda se esquivando da noiva, esbarrou de cara com o noivo, não teve outra opção que não cumprimentar rapidamente e sair andando. Já o Menino foi mais longe e chegou abraçando o noivo e soltando efusivos desejos de felicidade aos noivos. Bubu preferiu permanecer mais afastado só observando o movimento e curtindo.

Depois de vários drinks, eles já eram totalmente de casa. Estavam dançando com todos, íntimos dos garçons, aproveitando tudo. Até que aquilo que Zé tanto tentou evitar, aconteceu. Ficou cara-a-cara com a noiva. Aquela que era sua amiga, distante, e não havia o convidado. Ele conseguiu ser mais rápido que a possível saia justa que estava para se formar e já foi logo falando:
- Querida, Parabéns!! Muito lindo seu casamento ser no dia do meu aniversário!!
Ela respondeu super entusiasmada:
- Sério?? Que lindo, que genial, vamos curtir muito. Vem vamos tirar uma foto.
Pegou Zé pela mão, no caminho encontrou a 'amiga' que havia liberado a entrada dos penetras e gritou por um fotografo.
"Digam X"
E lá tá o Cara-de-Pau mor com a noiva, no retrato oficial do seu casamento. E seu aniversário mesmo, só seria daqui a três dias da data da festa. No final tudo deu bem.

O que mais faltava para esses caras nesse dia?
Tinham conseguido tudo e um pouco mais do que tinham planejado.
A operação tinha sido um sucesso, a festa estava excelente, eles estavam se divertindo pra valer e a noite ainda nem tinha terminado. E óbvio: Não foram expulsos.

Quando acabou a hora que era permitida a permanência na casa de festas, todos foram - educadamente - convidados a se retirar. De lá já estava sendo organizado um ‘after-party’ perto dali. Óbvio que os penetras não iam ficar de fora de prolongar a diversão.
Não se sabe como, mas oito pessoas entraram no carro que eles vieram para festa e partiram em direção para a festinha na casa que estava sem os pais.

O sol já tinha saído e o único acordado era Zé, que gentilmente foi até os aposentos onde Bubu e Menino estavam descansando e os chamou para ir embora. Com uma leve resistência eles entraram no carro e partiram em direção a casa do Zé, para finalmente poderem dormir. No caminho uma parada estratégica na padaria. Eles tinham fome.
Bubu se enfiou no interior da loja e voltou com um saco cheio de salgados vendidos a quilo. O Menino foi logo pedindo quatro misto-quente e uma jarra de suco de laranja. Zé do Pré simplesmente apareceu na padaria usando uma cueca (pois ele havia nadado na piscina minutos antes de acordar os outros) e com o blazer por cima. E só! Antes de comer, voltou no carro e colocou uma calça.

Comeram como se não houvesse amanhã e finalmente foram pra casa dormir, descansar. Praticamente às nove da manhã. E com o detalhe que teriam que acordar para o almoço de aniversário do Zé do Pré, que reuniria toda sua família no domingo.
Mas eles não tinham do que reclamar, foi alegria a noite toda!

Os penetras ao acaso tinham alcançado êxito em sua primeira missão. E obviamente eles já começaram a especular; Qual a próxima festa?

"Tem festa junina/chá de panela da minha prima...", comenta Bubu.


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Festa junina da Ritinha

Festa junina da Ritinha

"Acho que rola de vocês dois irem. É uma festa junina com chá de panela, vai tá minha família toda". 
Bubu chegou com essa ideia, de levar os penetras para a festa de sua prima. Obviamente essa seria a nova meta deles.
Só que tinha um detalhe, tinha que ir a caráter. 
Tudo bem!

Na ocasião, a festa era levada a sério na temática festa junina. Bubu seria o padre do casamento e foi logo pedindo para ter dois coroinhas. Uma desculpa para os penetras, penetrarem e pularem a fogueira de São João juntos.
Na festa tinha dupla sertaneja, bandeirinhas, fantasias, enfeites, comidas típicas, familiares e os penetras nem um pouco discretos!

Menino e Zé do Pré já tinham decidido que iriam, e horas antes da festa se encontraram para irem juntos. Zé estava com uma leve preguiça e nem tinha começado a se arrumar, Menino já estava pronto. Faltava meia hora para eles irem, de acordo com o combinado com Bubu.
Quando o Menino chegou e Zé viu, não aguentou e teve uma crise de riso. Era festa junina, mas a pessoa mais parecia um Rei do Gado. Camisa branca, calça jeans, sapato de bico, um bigode preto e espesso colado no buço e um chapéu de vaqueiro. Foi assim que ele compôs o visual junino. Zé tinha colocado uma camisa xadrez e pintado o bigode e o dente com lápis de olho. Mas o Menino não estava achando o suficiente e então sugeriu de usar a peruca Black Power. 

Então com o visual devidamente completado, os dois partiram para a festa. Antes uma foto com o visual lindo que eles haviam criado. Não bastava só ser penetra, tem que ser os mais escalafobéticos do ambiente inteiro, claro.
Assim que chegaram encontraram com Bubu que estava todo caracterizado de padre e começou a ter uma crise risos, não acreditando no que estava vendo.
E essa expressão de surpresa se expandiu por todos os convidados que os avistavam. As pessoas riam do bigode do Menino, se perguntavam se a cabeleira do Zé era real. Queriam saber quem eram aquelas duas figuras que chegaram nada discretos, porém super simpáticos.
Cumprimentaram todos da família, se apresentaram, ficaram amigo do garçom e em questão de minutos já estavam completamente agregados a celebração.
Se apresentaram aos noivos, que estavam caracterizados de noivos de quadrilha e tudo seguia tranquilo.

Começou a quadrilha, cada um arranja um par. Os penetras ficaram sobrando e olhando. Bubu ficou no meio da roda filmando, Zé do lado de fora observando o desastre que estava aquela situação e o Menino mais embaixo sem muito interesse no momento. Até que a quadrilha foi para o caminho da roça e acabou indo pra capelinha, que foi cuidadosamente montada para o casamento da quadrilha. Um quartinho de 4 metros quadrados, pra receber todos que iriam ver a 'celebração' que o padre Bubu iria fazer.
Como na teoria Zé e Menino eram os coroinhas, eles simplesmente foram furando os convidados, que eram a família, e foram ficar ao lado do padre no altar. Aquela modalidade cara-de-pau.
Bubu ficou meio travado sem saber por onde começar e logo perdeu o posto de casamenteiro para um ser já meio bêbado que resolveu tomar as rédeas.
A Bubu só restou falar: - "Aqui, declaro marido e mulher". E todo mundo saiu correndo da igrejinha, porque estava insuportavelmente quente e abafada com a quantidade de pessoas aglomeradas para a cerimônia.

Passado a brincadeira, os jovens se concentraram no que tinha de bom na festa, ou seja: a bebida. Umas doses de pinga, vodca com suco de uva, cerveja com vodca (invenção estranha do Menino) e logo estavam todos "Nelson.". (Linguajar que indica estado alto de loucura, bastante utilizado pelos familiares do Bubu)

E com planos de ficarem mais ainda, queriam invadir os terrenos do ilícito e deixar o circo pegar fogo. No entanto toda a missão tinha que ser escondida. Mas o teor alcoólico já era considerável, a noite já estava acabando e o cansaço chegando.
Menino foi o primeiro a dar sinais de cansaço. Depois de uma decepção amorosa, ele foi se deitar emburrado na cadeira de piscina, com o chapéu de cowboy no rosto. Na ocasião, Menino foi convidado para ir ajudar uma certa moça a trocar lâmpada num quarto escuro. Quando ele sonhou que poderia rolar alguma coisa, já tinha sobrado sozinho lá no escuro. Achou melhor se deitar e pensar no que tinha perdido. Zé com mais um drink na mão ia passando quando avistou a cena da criança com chapéu na cara, deitado. Imediatamente se dirigiu a seu lado e foi logo falando pra ele levantar, animar, reagir. Quando deu por si, estava ali deitado ao lado de Menino, estatelado com a bateria também arriando.

Bubu foi o terceiro a chegar nessa cadeira, já tinha dado seu passeio e agora estava procurando um local pra descanso também. Até considerou ficar ali com os outros dois penetras, mas logo desistiu e foi se alojar nos aposentos quentinhos na casa da tia.

E então sobrou na festa seis pessoas e duas pessoas semi-mortas ao lado da piscina. Num lapso de loucura, eles decidiram quebrar algumas regras de bom costume e convivência e chutaram o balde. Não passaram despercebidos porque o cheiro os denunciou. Mas dissimulados como são, ao serem confrontados pela dona da casa, que também era a noiva; Negaram tudo. Não tinha prova de nada.
Aliás, a noiva já chegou em direção deles com um Approach direto e sem noção: - "Vocês são o casal homoafetivo que o Bubu pediu pra trazer?"

Eles se olharam, não entenderam, mas responderam.

Zé do Pré começou a rir e disse que eles não eram um casal e sim um trio, contando com Bubu. Quis responder com piada. Já Menino, ainda bravo com a decepção, foi um pouco mais ríspido e respondeu: - "Não posso fazer nada se vocês não tem amigos.".

E com o assunto já meio caído, todos se afastaram e eles decidiram ir embora.
Nesse momento eles não tinham mais a peruca, nem gravata, nem respeito e quase sem consciência também.
Mas chegaram em casa são e salvos e doidos. Tanto é que estacionaram o carro e no minuto seguinte saíram de novo. Por algum motivo a situação final ocorrida na festa tinha dado um gás de adrenalina que deixou os dois caras-de-pau sem sono. Foram conversando estrada a fora e depois de meia hora conseguiram, enfim, deitar pra dormir.

Tinha sido uma noite longa e mais uma vez de sucesso.
Inevitavelmente eles queriam mais, estavam gostando dessa história de ser bicão de graça.
E depois da conversa agradável com a noiva (ironia forte aqui), eles decidiram que iriam também invadir o casamento real da Ritinha, que está por vir.
Ela não tinha opção, ela vai ver esses penetras lá...

Mas até lá, eles precisam de mais...
Talvez subir o grau de dificuldade e ir a uma festa que ninguém tenha convite.

E eles se prepararam pra isso...
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Jambalaiá e banho de Chop

Jambalaiá e banho de Chop

Era mais um sábado normal! Mesmo com o clima mais frio e com temperaturas mais baixas, o sol resolveu sair nesse dia.
Por mensagem de celular os três mosqueteiros começaram a pensar em como eles poderiam curtir aquele dia.
A principio a ideia era ficar mais "de boa", talvez uma cervejinha em casa, acompanhado de um videogame. Programinha mais light com os amigos.

Enquanto Menino ainda dormia, Zé e Bubu começaram as negociações e resolveram se encontrar às 3 da tarde para decidir os planos do dia. Os dois sentaram num barzinho e tomando um chopinho foram buscando opções. O Menino deu sinal de vida, e estava indo a encontro dos demais no bar. 
Já calculando que o dia poderia ser longo, Zé do Pré resolveu ir até a farmácia e comprar alguns remedinhos que ajudam a minimizar os efeitos da bebedeira, no dia seguinte. Atravessando a rua no semáforo, coincidentemente encontrou com o Menino passando dentro do carro.

Tomaram o último chope e então o mais novo chegou cheio de maldade embutida e sugeriu que eles fossem para um bar Primeiro e depois deixar a noite fluir. Por sorte um amigo músico de Bubu estava tocando com sua banda de pop/rock –Jambalaia-  num bar em Água Claras (cidade satélite de Brasília), e assim que terminaram o chopinho, se dirigiram imediatamente para lá. Antes uma pausa rápida na padaria. Compra uns pães de queijo, uma cervejinha importada e cara e Bubu ganha uma cantada escancarada da jovem atendente, na frente de todos presente no recinto. Já era um sinal do que estava por vir, a noite prometia.

Devidamente abastecidos pegaram estrada e logo chegaram ao local. Apesar de atrasados, a banda ainda estava tocando. Eles pegaram uma mesa próxima ao som. Devidamente instalados e com a bexiga vazia, foram decidir juntos o que beber. Menino, que dentre eles é o que pega mais leve, no dia resolveu que iria ficar naquele modelo, foi quem escolheu a pedida.
Um combo de vodca importada + algumas caixinhas de água de coco. Aquela tentativa de beber e ao mesmo tempo hidratar o corpo. Todos toparam!
Mais uma vez trataram de fazer amizade com o garçom e assim garantiram atendimento privilegiado.

Sentados e ouvindo a banda tocar, os penetras foram consumindo aquele combo, como se fosse cerveja ou água. O copo chegava à metade, eles prontamente já completavam. E em menos de uma hora a garrafa já tinha passado da metade.
O amigo músico se juntou a mesa, assim que acabou o show. Chegou sugerindo opções do que fazer pós-bar.
Eles queriam sair dali e cair direto em uma festa para poder curtir tudo aquilo que estava sendo ingerido. 
O plano principal era cair na noite, para eles poderem cair em cima da mulherada. Esse era o foco e objetivo naquela noite.
O amigo músico se agilizou e foi atrás do rabo de saia garantido e os penetras ficaram ali confabulando para onde os três iriam.

Obviamente que a bebida já tinha subido e eles já estavam mais soltos e com menos controle corporal. Zé do Pré, uma pessoa bem expressiva, foi contar uma história e se empolgou. Utilizou as mãos euforicamente e quando viu já tinha causado o estrago. Foi total cena de filme. Sua mão direita super elétrica e bêbada, encontrou em seu caminho um garçom que trazia na bandeja 3 copos de chope, para servir a mesa ao lado. O golpe foi certeiro, pegou embaixo da bandeja e pelo menos um copo caiu inteiro em cima de uma mulher, que estava com as costas de fora e foi toda contemplada com aquele banho de cevada.
Zé do Pré e Bubu tiveram uma crise de riso instantânea. Eles mal conseguiam se desculpar de tanto ri. O garçom que teve sua bandeja atingida ficou bravo, muito bravo e foi logo apontando para o namorado da moça quem tinha sido o culpado da tragédia.
O Menino tentou pedir umas desculpas e contornar a situação, até que Zé pudesse se recompor e ir diretamente se redimir com a mesa banhada de chope. 

Passado o episódio hilário, a garrafa foi cada vez mais chegando ao fundo e secando. Era hora de pagar a conta e cair na gandaia.
Para onde ir?
"Tem uma amiga minha que esta saindo, mora aqui perto, vamos ver com ela de qual é pra hoje!", sugeriu Bubu.
Sem vergonha na cara, Zé pegou o telefone e ligou para a gatinha. Papo vai, papo vem, eles acabaram convencendo a menina a se juntar aos penetras no bar.
Só que o Menino estava com fogo na roupa e queria curtir por ali mesmo. Sugeriu dos penetras caírem para algumas baladas sertanejas, ou bem do povão. Essas que onde as mulheradas estão bem soltinhas.
Ideia negada imediatamente pelos outros dois.

Eles começaram a considerar a hipótese de irem para festa de comemoração de uma balada conhecida na cidade. Só que eles praticamente teriam que voltar de onde eles saíram à tarde. Menino não estava gostando muito dessa opção, mas na hora acabou sendo voto vencido, valeu a democracia dos mais velhos. A Gatinha acabou demorando a aparecer no bar e eles acabaram combinando de encontrá-la também nessa festa.

Por fim eles voltaram pra cidade para ver como seria essa festa, a festa do Quinto...


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Vem! o segurança tá do nosso lado.

Vem! o segurança tá do nosso lado.

Assim que aceitaram tomar o combo de vodca com água de coco, Zé do Pré já pressentindo o que viria perguntou ironicamente: - “Já que vamos beber isso, já fica entendido que quem vai ter que voltar dirigindo vai ser eu, né?”.

Normalmente o Menino costuma ser o motorista da galera, afinal é o que se controla mais. No entanto, naquele dia ele foi o primeiro a alucinar com o sangue cheio de álcool. Pagaram a conta e se dirigiram para o carro, sentido Quinto dos Infernos. Porque ali, nitidamente, era um trio de jovens endiabrados e encapetados. Zé ao volante, Menino de copiloto em seu próprio carro e Bubu de GPS no banco de trás.

No banco de trás ele também colocava algumas rédeas no Menino, que insistia que queria ‘mijar’ com o carro em movimento. Chegou até numa tentativa de desabotoar as calças. Mas foi contido com as palavras de desaprovação vindas de Bubu. Enquanto isso Zé do Pré completamente perdido, sem noção de direção alguma, simplesmente tentando prestar o máximo de atenção nas placas, nos carros a sua frente e nas coordenadas desencontradas que vinham de dentro do carro.

Com a sorte de Deus conseguiram chegar sãos... (?)

Eles chegaram salvos! Chegaram ao Quinto. Estacionaram e se entreolharam ainda dentro do carro, já tinha ficado subtendido para todos. Eles iam aprontar!

A gatinha que deu a dica da festa já estava na bilheteria esperando a chegada dos penetras. Ela já havia achado sua companhia – um casal – e só estava no aguardo do trio-loucura. Verificaram que o ingresso estava muito acima do valor que eles esperavam e tinham estipulado que pagariam. Aquilo atiçou o lado rebelde de Zé. Por um acaso o local onde estava sendo realizada a festa era o clube que ele frequentou durante sua adolescência. Conhecia bem a estrutura do local.  
Sem muitas explicações se afastou do grupo e foi dar uma averiguada nos arredores do clube. Foi para a esquerda e conseguiu que além da cerca do clube, a festa estava cercada por alambrados. Impossível! Foi então passando para a vistoria no lado direito e com um sorriso muito feliz conseguiu achar um portão que estava aberto, sem tranca ou cadeado. O portão dava acesso para o estacionamento do clube e mais a frente uma área de lazer coberta.

Contou para o grupo de amigos que esperavam na bilheteria essa fantástica descoberta. Menino imediatamente concordou e já foi andando, Bubu ficou meio receoso, esperou o grupo decidir se iriam ou não. E partiu em direção para o portão aberto. Os três olharam bem e simplesmente entraram na cara de pau característica do trio. Foram em direção à área de lazer onde estava acontecendo alguma coisa. Afinal havia luzes e pessoas em movimento.

Sem pensar Zé do Pré simplesmente entrou pela porta que estava aberta. Era da copa/cozinha que já dava acesso direto ao salão onde estava rolando uma festa. Uma recepção de casamento. Quando olhou pra trás estava no meio de convidados que olhavam com desconhecimento e sozinho. A duplinha estava do lado de fora pensando em como eles entrariam e qual desculpa usariam. Zé voltou e quando já estava na cozinha encontrou com os dois perdidos. Menino já entrou e pegou um drink na bandeja do garçom que passava e logo eles trataram de sair pela porta da frente. A festa estava rolando ao lado desse casamento. E como Zé já havia visto de fora, estava toda cercada por alambrados altos. 

Havia um único pedaço da festa que estava livre. Com o detalhe que havia uma espécie de janela a quase 2 metros do chão. Tão impossível quanto passar pela estrutura de metal que cercava a festa toda. Com exceção dessa parede que havia um circulo até que largo, só que a uma altura bastante considerável.
Mas aquela era a única possibilidade de entrar na festa. Claro que ignorando o fato de que poderiam voltar e comprar o ingresso na bilheteria como todos estavam fazendo. Mas ai perderia o fator ‘penetra’. Eles tinham que honrar isso, eles compraram esse compromisso.

Quer dizer, dois deles...

O cara com síndrome de macaco (a.k.a Zé do Pré) declarou que iria pular e entrar na festa por aquela ‘janela’ e queria saber se ele fosse todos iriam depois. A resposta foi positiva. E assim sem mais nem menos ele pulou e conseguiu chegar e sentar naquela esfera que era o único acesso não pago a festa. Antes de pular pra dentro do ambiente voltou e refez a pergunta. Ouviu a palavra sim e simplesmente pulou pro quinto.

Ainda agachado no chão, na posição em que caiu, não teve tempo nem de se erguer, pois o segurança tinha visto e já se aproximou advertindo. Do lado de fora Bubu olha pro Menino e com uma cara de ‘merda, fodeu’, diz: “Acho que pegaram o Zé”. E do mesmo jeito que ele tinha chegado ali, ele voltou rapidamente. Passou pelo casamento, pelo portãozinho aberto e foi direto pra bilheteria. Menino ficou sem saber o que fazer e foi atrás de Bubu, mas o perdeu de vista e resolveu voltar pra janela de entrada. 

Lá dentro, ainda agachado, Zé se negava a ter que sair da festa e pagar pra entrar. Tinha tanta convicção de que não era nem possibilidade que o segurança teve que agachar também e assim começou uma nova conversa.
- Quanto você tem ai?
- Tenho 2 amigos lá fora e 30 pau na carteira.
- Combinado!

Com o aval do segurança Zé voltou na janelinha redonda e só havia Diogo ali. Pegou o celular e mandou mensagem para o Bubu.
“Vem, o segurança tá do nosso lado.”

Quando eles ouviram a palavra de ordem do segurança: “Vai, agora”. Menino do lado de fora tentou pular e escalar a janela. De primeira não conseguiu, então Zé o ajudou o puxando pelos braços. Caíram os dois dentro da festa. Ninguém tinha visto. O segurança já nem estava mais naquela área da festa. Missão cumprida. Não foi exatamente como eles estavam pensando, mas foi mais adrenalina e aventura do que nunca.


Os dois resolveram que aquele momento merecia um brinde e foram comprar a bebida mais bombástica da festa. E com um largo sorriso nos rostos brindaram. E também comentaram como o Bubu tinha sido medroso. E pouco companheiro. Decidiram que não iriam nem saber se ele tinha ou não conseguido entrar. Foram curtir o feito como dupla. Só que não demorou muito e os três se encontraram lá dentro. Bubu tinha entrado da maneira correta e ainda encontrou o grupo de amigos lá fora que riram a valer da presepada que tinham escapado.

Finalmente os penetras foram curtir e dançar a música que rolava solta como se fosse uma mini rave.  Se eles azararam alguma gata, como era o plano inicial?
Bom, eles conversaram bastante com diversas meninas, todas elas preenchendo o perfil do que eles não estavam procurando naquela noite. Mas vale aquele ditado popular que diz que você atrai o que transmite. E como histórico da noite, não tinha como eles esbarrarem com pessoas normais, em uma festa no Quinto dos Infernos.

 E quando a fome bateu no Menino foi o sinal de que estava na hora deles se recolherem e partirem pra casa. Não antes de comprar o sanduíche que o Menino birrento tanto chorou para comer. Trinta centímetros de pão. No 5º centímetro ele praticamente dormiu em cima da comida dentro da lanchonete.


Que noite!
 
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