PENETRAS AO ACASO
Procurando pelos
dicionários online, nesta vasta rede de
informações, escolhi o que achava que
melhor definiria essa palavra aplicada no contexto das histórias que serão
contadas por aqui. A definição para a palavra: penetra
Pe-ne-tra.
Significados: 1. Pessoa que é petulante, um tanto insolente. 2. Pessoa que de tudo finge entender. 3. Pessoa que entra onde não é
chamada, que vai a diversões sem pagar, como cinemas, bailes etc.; emboca.
A
terceira opção é onde os Três personagens centrais desse enredo, melhor se
encaixam. Meter o nariz onde não são chamados e sem pagar. Bingo!
A
brincadeira desses três jovens destemidos começou
totalmente ao acaso. Uma proposta surgiu e eles tiveram que se virar
rapidamente para se adaptarem a situação. Uma amiga surgiu com a oportunidade de dois
convites para uma festa de casamento. Mulheres bonitas e solteiras, (querendo
romance e sonhando com o dia que será ela no papel de noiva) amigos reunidos,
bebida liberada, música legal. Por que não?
Mas,
eles são um trio de amigos e são apenas
dois convites disponíveis!
A
ocasião fez o ladrão. E assim eles decidiram que iriam todos a esse
casamento, com ou sem convite. Não importava!
Se
tiver uma característica bem comum entre esses rapazes, seria a
capacidade de comunicação. Já diz o ditado; "Quem tem boca vai a Roma.”.
Acrescentaria
também que: - Quem tem carisma não
precisa de dinheiro, muito menos de convite.
Eles então se reuniram e traçaram a estratégia de ataque. A única convidada, de
verdade, estava doando o par de convites a eles. Ela havia recebido 4 convites, 1 para ela e
seu par, outro para o irmão e o par. Essa segunda opção estava a milhas de
distância do casamento no dia, logo ‘sobrou’ um par de convites. Ela gentilmente
os convidou e cedeu as entradas. No dia, horas antes, os encontrou quando
estava a caminho da cerimônia, que seria realizada primeiramente, para depois haver o baile.
Como de praxe.
Sim, folgados!
Para os penetras só os interessavam ir à festa, totalmente
dispensável a parte
matrimonial. O combinado era que após o jantar servido eles tinham maior chance de obter sucesso no
plano, tendo em vista que a "plateia" já estaria mais cheia e os noivos ocupados dando atenção a todos e a nada, ao
mesmo tempo.
Eles foram se arrumar!
Primeiro foram na casa
do Zé do Pré que estava mais perto.
Enquanto ele tomava banho e dava um trato no visual, os outros dois esperavam
ansiosos. Todos querendo ir logo, todos com certo receio. Nada declarado ou
pronunciado.
O Zé do Pré é um cara de pau mor, nasceu com esse
dom. Tanto é que desde a Pré-escola ele já tem a ficha suja, vários pequenos delitos infantil.
É o que mais fala dos
três. É o que mais fala
besteiras consequentemente. Dono de uma ágil ironia, quando você o vê, já pensou e já te sacaneou. O cara
também gargalha e alto.
Pros padrões penetras, que
supostamente deveriam passar despercebido, ele cria controversas ao passar ‘super’ percebido, contagiando e
cativando todos com um sorriso escrachado no rosto.
Então devidamente arrumado
para a festa, entraram no carro e partiram pra casa do Menino. Era a vez dos outros dois se aprontarem para o
evento.
Ficava quase do outro
lado da cidade, mas a situação era justa. E menino novo sempre tem pique de sobra, certo? E
esse não foge a regra.
Carinha de criança, mente de gente
grande, atitudes de doido destemido.
A carinha de bom moço encanta todos e vai
abrindo todas as possibilidades e caminhos, com sua diplomacia cordial e paciência de elefante.
O Menino apesar de ser o mais
novo é tão sagaz quanto os
demais. Enquanto o Zé do Pré se expressa abertamente, esse aqui prefere ouvir. É fácil saber se ele está interessado no papo; braço esquerdo cruzado na
altura do peito, a mão direita no queixo. Uma espécie de estátua grega dos pensadores. Detalhe para
o dedo
indicador nos lábios. Cena épica. Bubu não perde a oportunidade
de zombar, toda vez!
Vale lembrar que; Se o
Menino perde a paciência é o primeiro a chutar o
balde!
E então foi a vez do
terceiro penetra, o Bubu, se arrumar. Indecisão na cor da camisa, uma cervejinha gelada devidamente colocada em
stand-by e passa a fivela no cinto, últimos retoques no cabelo. Estava pronto e agora com muito mais expectativas.
Ele tem a necessidade
de planejamento. Tudo tem que ser devidamente pensado antes para ai sim ser posto
em prática. Vale dizer que
rola certa imposição camuflada nesses planos todos. Acaba que no fim todos fazem sua
vontade. Mas ninguém também reclama. Muito pelo contrário. É certeza de diversão garantida! Apesar de
o apelido parecer fofo, trata-se de um marmanjo de quase 2 metros de altura.
Com uma simpatia fenomenal e gigantesca. Não existe tempo ruim quando se esta em sua companhia. Com certeza é o mais cauteloso, pra
não dizer medroso, dos
penetras.
Os três devidamente
arrumados e embecados e diferenciado por cores; Bubu de Azul Marinho, Menino de
branco, Zé do Pré de preto. Todos com blazer preto
por cima e sapato engraxado no pé.
Prontos se reuniram na
varandinha, deram um brinde ao
que estava por vir e começaram a traçar o plano...
- Assim que acabar o
jantar a gente entra.
- Ela vai nos arranjar mais
um convite, ela vai sair com o convite dela escondido e passa pra gente.
- A gente entra e se
mistura na galera.
E até que o telefone liga e
eles tem o sinal verde para partir para missão: Invadir o casamento. Ninguém convidado, dois convites doados, 3 penetras e muita cara-de-pau. E assim partiram!
Chegando ao local, uma
bonita casa de festa num bairro nobre da cidade, um mix de sentimentos dominou
os três. Eles queriam entrar
logo, queriam que desse tudo certo e queriam passar totalmente despercebidos
pelos noivos. Principalmente Zé, que conhecia a noiva e não era convidado. Ou seja, cara de pau assumido.
Bubu era o mais
apreensivo, pois foi o que ficou "sem convite", estava esperando a
querida amiga que os convidou sair da festa, encontrá-los no estacionamento
e entregar seu convite para ele. Assim os três, de certo modo, teriam convites. Já não teriam como ser barrados no baile, na teoria.
Menino, Zé e Bubu caminharam em direção à porta de entrada,
todos confiantes, quando de repente recuaram depressa. Os noivos estavam na
recepção tirando fotos com
madrinhas, padrinhos e familiares. Tiveram que esperar mais um
pouco.
Acende-se um cigarro, conversa fiada, pensam em como vão fazer e ficam de
olho esperando que essas fotografias fossem tiradas logo.
Não demorou muito e surgiu o terceiro
ingresso. Agora os três penetras tinham um convite cada em mãos. Chegou a hora.
SHOWTIME!
E eles subiram a rampa
em direção ao Hall de entrada
do casamento...

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