Festa junina da Ritinha
"Acho que rola de vocês
dois irem. É uma festa junina com chá de panela, vai tá
minha família toda".
Bubu chegou com essa ideia, de levar os penetras para a
festa de sua prima. Obviamente essa seria a nova meta deles.
Só que tinha um detalhe, tinha que ir a
caráter.
Tudo bem!
Na ocasião,
a festa era levada a sério na temática
festa junina. Bubu seria o padre do casamento e foi
logo pedindo para ter dois coroinhas. Uma desculpa para os penetras, penetrarem
e pularem a fogueira de São João juntos.
Na festa tinha dupla sertaneja,
bandeirinhas, fantasias, enfeites, comidas típicas, familiares e os penetras nem
um pouco discretos!
Menino e Zé do Pré já tinham decidido que iriam, e horas antes da festa se
encontraram para irem juntos. Zé estava com uma leve preguiça e
nem tinha começado a se arrumar, Menino já estava pronto.
Faltava meia hora para eles irem, de acordo com o combinado com Bubu.
Quando o Menino chegou e Zé
viu, não aguentou e teve uma crise de riso. Era festa junina, mas a
pessoa mais parecia um Rei do Gado. Camisa branca, calça
jeans, sapato de bico, um bigode preto e espesso colado no buço e
um chapéu de vaqueiro. Foi assim que ele compôs o
visual junino. Zé
tinha colocado uma camisa xadrez e pintado o bigode e o dente com lápis
de olho. Mas o Menino não estava achando o suficiente e então
sugeriu de usar a peruca Black Power.
Então com o visual devidamente
completado, os dois partiram para a festa. Antes uma foto com o visual lindo
que eles haviam criado. Não bastava só
ser penetra, tem que ser os mais escalafobéticos do ambiente inteiro, claro.
Assim que chegaram encontraram com Bubu que estava todo caracterizado de padre e começou
a ter uma crise risos, não acreditando no que estava vendo.
E essa expressão
de surpresa se expandiu por todos os convidados que os avistavam. As pessoas
riam do bigode do Menino, se perguntavam se a cabeleira do Zé
era real. Queriam saber quem eram aquelas duas figuras que chegaram nada
discretos, porém super simpáticos.
Cumprimentaram todos da família,
se apresentaram, ficaram amigo do garçom e em questão
de minutos já estavam completamente agregados a celebração.
Se apresentaram aos noivos, que
estavam caracterizados de noivos de quadrilha e tudo seguia tranquilo.
Começou a quadrilha, cada um arranja um
par. Os penetras ficaram sobrando e olhando. Bubu ficou no meio da roda
filmando, Zé do lado de fora observando o desastre que estava aquela
situação e o Menino mais embaixo sem muito interesse no momento. Até
que a quadrilha foi para o caminho da roça e acabou indo pra capelinha, que
foi cuidadosamente montada para o casamento da quadrilha. Um quartinho de 4
metros quadrados, pra receber todos que iriam ver a 'celebração'
que o padre Bubu iria fazer.
Como na teoria Zé e Menino eram os coroinhas, eles simplesmente
foram furando os convidados, que eram a família, e foram ficar ao lado do padre
no altar. Aquela modalidade cara-de-pau.
Bubu ficou meio travado sem saber por onde começar
e logo perdeu o posto de casamenteiro para um ser já
meio bêbado que resolveu tomar as rédeas.
A Bubu só
restou falar: - "Aqui, declaro marido e mulher". E todo mundo saiu
correndo da igrejinha, porque estava insuportavelmente quente e abafada com a
quantidade de pessoas aglomeradas para a cerimônia.
Passado a brincadeira, os jovens se
concentraram no que tinha de bom na festa, ou seja: a bebida. Umas doses de
pinga, vodca com suco de uva, cerveja com vodca (invenção
estranha do Menino) e logo estavam todos "Nelson.". (Linguajar
que indica estado alto de loucura, bastante utilizado pelos familiares do Bubu)
E com planos de ficarem mais ainda,
queriam invadir os terrenos do ilícito e deixar o circo pegar fogo. No
entanto toda a missão tinha que ser escondida. Mas o teor
alcoólico já era considerável,
a noite já estava acabando e o cansaço chegando.
Menino foi o primeiro a dar sinais de cansaço.
Depois de uma decepção amorosa, ele foi se deitar
emburrado na cadeira de piscina, com o chapéu de cowboy no rosto. Na ocasião,
Menino foi convidado para ir ajudar uma certa moça a trocar lâmpada
num quarto escuro. Quando ele sonhou que poderia rolar alguma coisa, já
tinha sobrado sozinho lá no escuro. Achou melhor se deitar e
pensar no que tinha perdido. Zé com mais um drink na mão ia passando quando avistou a cena
da criança com chapéu na cara, deitado. Imediatamente se
dirigiu a seu lado e foi logo falando pra ele levantar, animar, reagir. Quando
deu por si, estava ali deitado ao lado de Menino, estatelado com a bateria também
arriando.
Bubu foi o terceiro a chegar nessa cadeira, já
tinha dado seu passeio e agora estava procurando um local pra descanso também.
Até considerou ficar ali com os outros dois penetras, mas logo
desistiu e foi se alojar nos aposentos quentinhos na casa da tia.
E então sobrou na festa seis pessoas e duas
pessoas semi-mortas ao lado da piscina. Num lapso de loucura, eles decidiram
quebrar algumas regras de bom costume e convivência e chutaram o balde. Não
passaram despercebidos porque o cheiro os denunciou. Mas dissimulados como são,
ao serem confrontados pela dona da casa, que também era a noiva;
Negaram tudo. Não tinha prova de nada.
Aliás, a noiva já
chegou em direção deles com um Approach direto e sem noção:
- "Vocês são o casal homoafetivo que o Bubu
pediu pra trazer?"
Eles se olharam, não
entenderam, mas responderam.
Zé do Pré começou a rir e disse que eles não
eram um casal e sim um trio, contando com Bubu. Quis responder com piada. Já
Menino, ainda bravo com a decepção, foi um pouco mais ríspido
e respondeu: - "Não posso fazer nada se vocês não
tem amigos.".
E com o assunto já
meio caído, todos se afastaram e eles decidiram ir embora.
Nesse momento eles não
tinham mais a peruca, nem gravata, nem respeito e quase sem consciência
também.
Mas chegaram em casa são e
salvos e doidos. Tanto é que estacionaram o carro e no minuto
seguinte saíram de novo. Por algum motivo a situação
final ocorrida na festa tinha dado um gás de adrenalina que deixou os dois
caras-de-pau sem sono. Foram conversando estrada a fora e depois de meia hora
conseguiram, enfim, deitar pra dormir.
Tinha sido uma noite longa e mais uma
vez de sucesso.
Inevitavelmente eles queriam mais,
estavam gostando dessa história de ser bicão
de graça.
E depois da conversa agradável
com a noiva (ironia forte aqui), eles decidiram que iriam também
invadir o casamento real da Ritinha, que está por vir.
Ela não tinha opção,
ela vai ver esses penetras lá...
Mas até lá, eles precisam de mais...
Talvez subir o grau de dificuldade e ir
a uma festa que ninguém tenha convite.
E eles se prepararam pra isso...



0 comentários:
Postar um comentário